Escolher um sistema de ponto eletrônico parece simples até a primeira pesquisa: REP-C, REP-A, REP-P, biometria, aplicativo, software em nuvem, AFD, AEJ… Este guia organiza a decisão em 7 critérios objetivos, mostra o que a lei exige e termina com cenários prontos por tipo de empresa.
O que é um sistema de ponto eletrônico
Um sistema de ponto completo tem duas partes que trabalham juntas:
- O registrador (REP) — quem coleta a marcação. Pode ser um equipamento físico de parede, um aplicativo no celular do funcionário ou um coletivo no tablet/celular da empresa;
- O software de tratamento — quem transforma marcação em informação: calcula horas extras, banco de horas e DSR, trata inconsistências, gera o espelho de ponto e os arquivos legais (AFD e AEJ) e entrega tudo pronto para a folha.
Muita empresa compra só o equipamento e descobre depois que o trabalho de verdade está no tratamento. Avalie sempre o conjunto.
Os três formatos de registrador
A Portaria 671/2021 reconhece três tipos de REP:
- REP-C — o equipamento físico convencional, o único com certificação do Inmetro. Indicado para portaria de fábrica e operações com fluxo alto num ponto fixo;
- REP-A — sistema alternativo, autorizado por acordo ou convenção coletiva;
- REP-P — registro por programa: o ponto pelo celular ou tablet, com reconhecimento facial e localização.
Cada um tem obrigações e custos diferentes — o comparativo completo está em diferença entre REP-C, REP-A e REP-P.
O que a lei exige do sistema
Independentemente do formato, a Portaria 671/2021 exige que o sistema gere os arquivos fiscais (AFD e AEJ), emita comprovante de marcação, não permita alteração dos registros originais e guarde os dados pelo prazo legal. Empresas com mais de 20 funcionários são obrigadas ao registro de jornada.
Se o fornecedor não souber explicar como gera o AFD e o AEJ, encerre a conversa ali.
Os 7 critérios de escolha
1. Quantos funcionários registram ponto
Até uns 20 colaboradores com jornada padrão, um REP-P por aplicativo costuma resolver com o menor custo. Acima disso — ou com obrigação sindical de equipamento — o físico entra na conta.
2. Onde as pessoas trabalham
Todo mundo num endereço fixo? Equipamento de parede funciona. Equipe externa, obra ou trabalho em campo? Só o REP-P com marcação offline e geolocalização acompanha. Home office tem regra própria — veja controle de ponto no home office.
3. Jornadas e escalas
Turnos fixos são fáceis. Escalas 12x36, revezamento e banco de horas exigem software que trate as regras sem planilha auxiliar — pergunte como o sistema fecha cada escala antes de assinar.
4. Integração com a folha
O sistema precisa exportar para o seu software de folha de pagamento. Sem integração, o RH redigita tudo — e redigitar é onde nascem os erros.
5. Biometria e LGPD
Digital e reconhecimento facial são dados sensíveis. O sistema deve armazenar template matemático (não foto) e ter finalidade documentada — o essencial está em biometria e LGPD no controle de ponto.
6. Comprar, alugar ou assinar
O mesmo equipamento pode ser comprado (CapEx) ou locado com manutenção inclusa (OpEx). O comparativo de custo real está em comprar, alugar ou assinar equipamento de ponto.
7. Suporte e manutenção
Relógio de ponto parado é jornada sem registro — e jornada sem registro é passivo. Verifique prazo de atendimento, reposição de equipamento e se existe manutenção com envio para a sua região.
Cenários prontos
- Escritório com até 20 pessoas — ponto pelo celular (REP-P) + software de tratamento. Zero hardware;
- Comércio/clínica com equipe fixa — um registrador na entrada + software em nuvem;
- Indústria com fluxo alto — REP-C na portaria + software que trate turnos e banco de horas;
- Construtora/serviços em campo — REP-P com offline e geolocalização por equipe;
- Mix (fábrica + administrativo + externos) — combine formatos no mesmo software: é o cenário mais comum acima de 100 funcionários.
Para montar o seu cenário com preços, use o configurador Add Time ou explore as soluções completas.
Os 3 erros mais comuns
- Comprar equipamento antes de definir o software — o hardware é a menor parte do problema;
- Ignorar o AFD/AEJ na demonstração — descobrir na fiscalização que o arquivo sai corrompido custa caro;
- Escolher só pelo preço da mensalidade — some equipamento, insumos (bobina!), suporte e o tempo do RH. É o custo total que compara sistemas.
Perguntas frequentes
Sistema de ponto eletrônico é obrigatório?
O registro de jornada é obrigatório para empresas com mais de 20 funcionários. O formato (manual, mecânico ou eletrônico) é escolha da empresa — mas o eletrônico é o único que elimina o retrabalho de apuração.
Planilha não resolve?
Para meia dúzia de pessoas com jornada fixa, até resolve — mal. Os sinais de que passou da hora de migrar estão em planilha vs. sistema de ponto.
Quanto custa um sistema de ponto?
Software de tratamento: em geral R$ 5 a R$ 10 por funcionário/mês. Equipamento físico: de algumas centenas a alguns milhares de reais, conforme o tipo — ou mensalidade de locação com manutenção inclusa. O total depende do cenário; por isso o configurador pergunta antes de precificar.
Conclusão
Comece pelo diagnóstico (quantas pessoas, onde, em que escala), valide a conformidade (AFD/AEJ, comprovante, LGPD) e só então escolha o formato e o modelo comercial. Se quiser pular direto para uma recomendação, monte seu sistema no configurador — ele aplica esses critérios por você.



